Uma Reflexão Sobre a Fé e a Autenticidade Cristã
Por: Elias Muratori
“Ninguém que põe a mão no
arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62)
Vivemos tempos em que a fé muitas vezes se mistura com exageros, superstições e até boas intenções mal direcionadas. Esta reflexão não pretende ir de encontro a ninguém, ou julgar práticas individuais, mas oferecer um ponto de vista pessoal — com base nas Escrituras, na vivência da Igreja e no bom senso da fé cristã.
Crenças Populares: O Que a
Igreja Aceita e o Que Desencoraja
A Igreja Católica sempre
esteve em diálogo com a cultura popular. Algumas crendices são toleradas por
serem inofensivas, outras são orientadas ou corrigidas. O essencial é que cada
indivíduo tenha discernimento e maturidade, para assimilar o que edifica a fé e
o que a deturpa.
“Correntes de Oração”: Fé ou
Superstição?
Vejamos o caso das
“correntes”. Muitos já receberam mensagens como esta: “você está recebendo
oportunidade de ser abençoado, para tanto, deve rezar e repetir isso e aquilo,
para que seja abençoado”. “Faça isso e envie para 10 pessoas. Não quebre a
corrente”.
E ainda, as mensagens sempre
acompanhadas com uma advertência: “caso não faça nestes termos você não
receberá a bênção”.
Mas será que isso agrada a
Deus?
Práticas como essas muitas
vezes reduzem a oração a um tipo de “negócio espiritual”. Isso não fortalece a
fé — ao contrário, infantiliza a relação com Deus.
Promessas e Barganhas com
Deus: Uma Prática Ultrapassada
Durante séculos, os fiéis
fizeram promessas do tipo: “Se meu filho for curado, prometo levá-lo a tal
santuário e acender uma vela do tamanho dele.” Mas será que Deus quer isso?
Fazer promessas, nada mais são
que tentativas de “barganhar” com Deus, principalmente se o prometedor só assume
cumprir o prometido, após receber a “graça”.
A Bíblia é clara:
“Misericórdia quero, e não
sacrifício” (Os 6,6)
“Deus não se agrada de ofertas
e holocaustos, mas de um coração sincero” (Hb 10,6).
Verdade é que muitas dessas
promessas se tornaram tão inócuas, muitas impossíveis de serem cumpridas.
Exemplo: determinada mãe teve
seu bebê com sérios problemas de saúde. Na ânsia de vê-lo curado, fez a
promessa que ficando ele livre da doença o levaria em romaria, ao Santuário de
Aparecida e o apresentaria do jeitinho que veio ao mundo, sem roupas. Passou o
tempo e, com a ajuda do médico a criança recuperou a saúde. No entanto, por circunstancias
diversas a mãe não o apresentou com um aninho, nem com 10 e, somente aos 15
anos ela pode levá-lo, mas o cumprimento da promessa, não pode se realizar.
De fato a prática das
promessas foram caindo em desuso. A Igreja passou a orientar que o fiel não
mais as faça. Sobretudo, aquelas que são para outras pessoas cumprirem.
Negociar com Deus, jamais deve
ser ferramenta para se alcançar uma graça. Afinal, Deus não é cambista, não é
agiota, não faz barganhas.
Promessas que se tornam
imposições ou “trocas” acabam afastando a espiritualidade da sua essência.
Novas Correntes, Velhos Dilemas
Contemporaneamente, as
promessas reaparecem em outras formas, como rezar em hora marcada – na
madrugada – ou rezar mil Ave-Marias e dividir com os amigos (como se fosse um
fardo).
Quem nunca recebeu uma
mensagem de um parente, de um amigo, no grupo de whatsapp dizendo:
- “Eu assumi o desafio de
rezar 1000 Ave-Marias, você pode rezar uma”?
Ora, não seria mais eficaz
rezar com consciência um mistério (10 Ave-Marias), ou até mesmo meditar
profundamente três orações com fé sincera?
É comum vermos leigos e, até
ordenados que teimam em criar formas idênticas, que substituam a prática das
“promessas”, como “correntes de rezação”. Ignoram as palavras do próprio Jesus:
- “Mas, quando você orar, vá
para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu
Pai, que vê em secreto, o recompensará”, (Mt 6,6).
O Valor Verdadeiro da Oração
Não se trata de desprezar as
orações tradicionais — muito pelo contrário! A Ave-Maria, o Pai-Nosso, o Credo,
a Salve-Rainha são tesouros da espiritualidade católica.
A própria Ave-Maria tem base
bíblica:
O anjo Gabriel disse:
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28)
Isabel declarou: “Bendita és
tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42)
Um Desafio Positivo
Quando alguém criticar o terço
– sobretudo se for de outra denominação - proponha o seguinte:
- Leia Lucas 1,28 e 1,42,
repita esses versículos 10 vezes, e ao final reflita com ele: o próprio Anjo
afirmou que Maria é a mãe de Jesus (filho de Deus). Então podemos sim, considerá-la
“Santa”! Sendo ela Santa, podemos pedir que rogue por nós - agora/neste tempo
e, na hora da nossa morte. E, podemos terminar com “Amém”!
Ainda pode completar para a
pessoa:
- Quando repetiu 10 vezes os
versículos você rezou “um mistério” do terço. Uma prática mantida há séculos
pela Igreja — simples, profunda e enraizada no Evangelho.
Conclusão: Fé Madura, Simples
e Verdadeira
A oração não é moeda de troca.
Deus não se deixa manipular por correntes ou promessas. Ele é Pai, e espera de
nós um coração sincero, confiante, íntimo.
Se você chegou até aqui,
agradeço pela leitura! E se desejar compartilhar sua opinião —
mesmo que discordante — será muito bem-vinda. O diálogo é parte da nossa
caminhada de fé.
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Até o próximo!

Parabéns pela bela reflexão, confrade Elias! Amei!
ResponderExcluirGratidão cara confreira Josiane. Seu comentário me anima muito.
ExcluirGostei muito da sua explicação. Ótimo para fazer reflexão em grupo.
ResponderExcluirAqui em Pirapetinga estes assuntos que você postou.
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