domingo, 8 de junho de 2025

CRENÇAS, CRENDICES, CORRENTES E COSTUMES

 

Uma Reflexão Sobre a Fé e a Autenticidade Cristã


Por: Elias Muratori

 

“Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62)

 

Vivemos tempos em que a fé muitas vezes se mistura com exageros, superstições e até boas intenções mal direcionadas. Esta reflexão não pretende ir de encontro a ninguém, ou julgar práticas individuais, mas oferecer um ponto de vista pessoal — com base nas Escrituras, na vivência da Igreja e no bom senso da fé cristã.

 

Crenças Populares: O Que a Igreja Aceita e o Que Desencoraja

 

A Igreja Católica sempre esteve em diálogo com a cultura popular. Algumas crendices são toleradas por serem inofensivas, outras são orientadas ou corrigidas. O essencial é que cada indivíduo tenha discernimento e maturidade, para assimilar o que edifica a fé e o que a deturpa.

 

“Correntes de Oração”: Fé ou Superstição?

 

Vejamos o caso das “correntes”. Muitos já receberam mensagens como esta: “você está recebendo oportunidade de ser abençoado, para tanto, deve rezar e repetir isso e aquilo, para que seja abençoado”. “Faça isso e envie para 10 pessoas. Não quebre a corrente”.

E ainda, as mensagens sempre acompanhadas com uma advertência: “caso não faça nestes termos você não receberá a bênção”.

 

Mas será que isso agrada a Deus?

 

Práticas como essas muitas vezes reduzem a oração a um tipo de “negócio espiritual”. Isso não fortalece a fé — ao contrário, infantiliza a relação com Deus.

 

Promessas e Barganhas com Deus: Uma Prática Ultrapassada

 

Durante séculos, os fiéis fizeram promessas do tipo: “Se meu filho for curado, prometo levá-lo a tal santuário e acender uma vela do tamanho dele.” Mas será que Deus quer isso?

Fazer promessas, nada mais são que tentativas de “barganhar” com Deus, principalmente se o prometedor só assume cumprir o prometido, após receber a “graça”.

 

A Bíblia é clara:

 

“Misericórdia quero, e não sacrifício” (Os 6,6)

“Deus não se agrada de ofertas e holocaustos, mas de um coração sincero” (Hb 10,6).

 

Verdade é que muitas dessas promessas se tornaram tão inócuas, muitas impossíveis de serem cumpridas.

Exemplo: determinada mãe teve seu bebê com sérios problemas de saúde. Na ânsia de vê-lo curado, fez a promessa que ficando ele livre da doença o levaria em romaria, ao Santuário de Aparecida e o apresentaria do jeitinho que veio ao mundo, sem roupas. Passou o tempo e, com a ajuda do médico a criança recuperou a saúde. No entanto, por circunstancias diversas a mãe não o apresentou com um aninho, nem com 10 e, somente aos 15 anos ela pode levá-lo, mas o cumprimento da promessa, não pode se realizar.

De fato a prática das promessas foram caindo em desuso. A Igreja passou a orientar que o fiel não mais as faça. Sobretudo, aquelas que são para outras pessoas cumprirem.

 

Negociar com Deus, jamais deve ser ferramenta para se alcançar uma graça. Afinal, Deus não é cambista, não é agiota, não faz barganhas.

 

Promessas que se tornam imposições ou “trocas” acabam afastando a espiritualidade da sua essência.

 

Novas Correntes, Velhos Dilemas

 

Contemporaneamente, as promessas reaparecem em outras formas, como rezar em hora marcada – na madrugada – ou rezar mil Ave-Marias e dividir com os amigos (como se fosse um fardo).

 

Quem nunca recebeu uma mensagem de um parente, de um amigo, no grupo de whatsapp dizendo:

- “Eu assumi o desafio de rezar 1000 Ave-Marias, você pode rezar uma”?

 

Ora, não seria mais eficaz rezar com consciência um mistério (10 Ave-Marias), ou até mesmo meditar profundamente três orações com fé sincera?

 

É comum vermos leigos e, até ordenados que teimam em criar formas idênticas, que substituam a prática das “promessas”, como “correntes de rezação”. Ignoram as palavras do próprio Jesus:

 

- “Mas, quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará”, (Mt 6,6).

 

O Valor Verdadeiro da Oração

 

Não se trata de desprezar as orações tradicionais — muito pelo contrário! A Ave-Maria, o Pai-Nosso, o Credo, a Salve-Rainha são tesouros da espiritualidade católica.

 

A própria Ave-Maria tem base bíblica:

 

O anjo Gabriel disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28)

 

Isabel declarou: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42)

 

Um Desafio Positivo

 

Quando alguém criticar o terço – sobretudo se for de outra denominação - proponha o seguinte:

- Leia Lucas 1,28 e 1,42, repita esses versículos 10 vezes, e ao final reflita com ele: o próprio Anjo afirmou que Maria é a mãe de Jesus (filho de Deus). Então podemos sim, considerá-la “Santa”! Sendo ela Santa, podemos pedir que rogue por nós - agora/neste tempo e, na hora da nossa morte. E, podemos terminar com “Amém”!

 

Ainda pode completar para a pessoa:

- Quando repetiu 10 vezes os versículos você rezou “um mistério” do terço. Uma prática mantida há séculos pela Igreja — simples, profunda e enraizada no Evangelho.

 

Conclusão: Fé Madura, Simples e Verdadeira

 

A oração não é moeda de troca. Deus não se deixa manipular por correntes ou promessas. Ele é Pai, e espera de nós um coração sincero, confiante, íntimo.

 

Se você chegou até aqui, agradeço pela leitura! E se desejar compartilhar sua opinião — mesmo que discordante — será muito bem-vinda. O diálogo é parte da nossa caminhada de fé.

 

📣 Que tal compartilhar esta reflexão com alguém que precisa redescobrir a beleza da oração autêntica?

Deixe seu comentário ou testemunho abaixo!

 

Até o próximo!

4 comentários:

  1. Parabéns pela bela reflexão, confrade Elias! Amei!

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    1. Gratidão cara confreira Josiane. Seu comentário me anima muito.

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  2. Gostei muito da sua explicação. Ótimo para fazer reflexão em grupo.

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  3. Aqui em Pirapetinga estes assuntos que você postou.

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