segunda-feira, 23 de junho de 2025

NÃO SABE O QUE DIZER APÓS RECEBER A COMUNHÃO?


Por: Elias Muratori

 

PEQUENA INTRODUÇÃO

 

Sempre que converso com algumas pessoas sobre religião e/ou denominações, costumo dizer que, até meus 17 anos, fui católico porque meus pais eram e assim me orientaram.

 

Quando criança, mensalmente me levavam — assim como meus irmãos — à Missa. Uma vez por mês, porque essa era a frequência com que o padre podia celebrar naquela comunidade distante da cidade.

 

No entanto, após os 17 anos — e agora, aos 67 — continuo sendo católico, mas por decisão pessoal, pois, a partir daquela juventude leio sobre a história da Igreja e com ela me identifico profundamente.

 

Como sempre gostei da literatura bíblica e, também dela me nutro regularmente, percebo o quanto ela embasa a doutrina católica apostólica romana, na qual se encarna grandes valores.

 

NÃO É NECESSÁRIO FÓRMULA DECORADA

 

Pois bem, ao longo dessa trajetória — passando por movimentos de jovens, pela Pastoral da Juventude e outros segmentos — algumas dúvidas sempre borbulharam em minha mente. E creio que o mesmo acontece com muitas outras pessoas. Uma dessas dúvidas é:

 

– O que devo rezar imediatamente após receber a Comunhão?

 

Não há — pelo menos, que eu saiba — uma fórmula pronta que a Igreja ou algum sacerdote tenha definido claramente como sendo a oração a ser feita após comungarmos.

 

Penso, sinceramente, que não é necessário haver uma oração fixa, decorada, para esse momento. Cada pessoa vive de modo único o encontro com o Pão Vivo. Contudo, seria muito válido que esse tema — o que fazer após a Comunhão — fosse abordado com mais frequência na catequese.

 

O QUE CADA DISCÍPULO REZOU?

 

Essa dúvida me levou a observar com mais atenção a cena da Última Ceia — momento em que Jesus instituiu a Eucaristia.

 

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos seus discípulos, dizendo: 'Tomem e comam; isto é o meu corpo.'

Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: 'Bebam dele todos vocês.

Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados.” (cf. Mt 26,26-28)

 

Diante dessa cena, me perguntei:

– O que terá dito cada um dos discípulos após receber o Pão e o Cálice?

 

Imagino que um deles possa ter dito:

– Obrigado, Mestre, por essa partilha.

 

Outro, talvez:

– Que eu possa sempre ser digno deste Santo Corpo.

 

E ainda outro:

– Que este Pão me ajude a me tornar uma pessoa melhor.

 

E certamente houve também quem nada tenha dito — apenas meditou em silêncio e profundidade diante daquele gesto sagrado.

 

UM ENCONTRO PESSOAL

 

Confesso que, após cada comunhão, meus pensamentos variam. Às vezes agradeço a Deus pela graça de poder comungar. Outras vezes peço a Cristo que fortaleça o meu espírito. Frequentemente ofereço a Comunhão pelos meus parentes e amigos, ou por quem me vem à mente naquele instante.

 

E nunca deixo de lembrar:

“Senhor, eu não sou digno…”, mas mesmo assim me atrevo a receber-Te em meu interior. Que isso me transforme, e que eu me torne uma pessoa melhor a cada dia.

 

“E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.” (cf. Mt 8,8)

 

CONCLUSÃO

 

Encerro esta reflexão sem a pretensão de ensinar o que outros devem rezar. O que exponho aqui são apenas pensamentos pessoais — não julgamentos — e respeito profundamente a forma como cada um vive esse momento sagrado.

Se gostou desta reflexão, repasse a alguém que possa dela tirar algum proveito.

 

Até a próxima.

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