Por: Elias Muratori
“O Pão da Ceia é pra ser
tomado (ingerido) e partilhado. O Pão da Ceia não é para ser objeto de
exibição!”
Nossa liturgia eucarística é
uma verdadeira e extraordinária obra-prima da literatura religiosa. Apresenta
princípios fundamentados na Bíblia e/ou na literatura exegética, além de ser
enriquecida de elementos, ritos e símbolos que nos envolvem e nos inebriam o
pensamento e a alma.
Contudo, o desenvolvimento ritualístico adquire diferentes nuances, a depender de quem e onde a celebração ocorre.
É nesse contexto que desejo
refletir sobre o exposto no título. Como é de praxe ressalto: trata-se de
observações independentes, livres de qualquer julgamento sobre outrem.
EXPERIÊNCIA PESSOAL
Dou testemunho, por experiência,
que ao receber a Comunhão - o Santíssimo - todo nosso ser, se transborda de
emoção. O Corpo de Cristo imediatamente se integra ao nosso corpo, de tal forma
que, no exato momento em que O recebemos, sentimos transformada nossa essência.
Pois bem, feito essa colocação
apresento a seguinte inquietação:
- Por que, por vezes, logo após
comungarmos o “Corpo de Cristo”, o celebrante anuncia a “Benção do
Santíssimo”?!
CONTEXTUALIZANDO MELHOR
O fiel comungante acaba de
receber o Santíssimo e, neste momento deveria se sentir totalmente saciado e santificado.
No entanto, quebrando o silêncio característico do pós-comunhão, ouve-se o
anuncio:
- Agora vamos à Benção do
Santíssimo (do ostensório).
Rapidamente o pensamento se
desvia daquilo que já está em seu interior. O comungante começa a aguardar Aquele
que vai passar à sua frente. Passa a importar para ele apenas o Santíssimo exposto
no ostensório e, muitas vezes, o próprio objeto é confundido com o que ele
contém.
Assim, a Comunhão que aquele
esplendoroso objeto, cor de ouro porta, acaba despercebida. A assembleia mira o
“que ostenta”. É comum vermos pessoas tentando tocá-lo - nem que seja com a
ponta dos dedos - para receber uma graça.
À LUZ DA PALAVRA
·
A hemorroíssa (a mulher que sofria de fluxos
menstruais graves), não se curou porque tocou nas vestes de
Jesus, mas sim pela fé que nutria em Jesus. (cf Mc 5, 25-34)
·
A Arca da Aliança era um sinal visível que Deus
estava protegendo seu povo o tempo todo. Mas, não era o invólucro o mais
importante, mas sim o conteúdo, as Tábuas da Lei.
Colocou também as tábuas da
aliança na arca, fixou nela as varas, e pôs sobre ela a tampa. Em seguida,
trouxe a arca para dentro do tabernáculo e pendurou o véu protetor, cobrindo a
arca da aliança, como o Senhor tinha ordenado. (cf Êxodo 40:20-21).
A BÊNÇÃO COM O OSTENSÓRIO
O Sacerdote – com o ostensório
na mão - percorre a igreja. Enquanto isso, muitos fiéis, sem dar conta de que
acabaram de receber o próprio Cristo, acompanham sua passagem com olhos
arregalados, como que petrificados, boquiabertos.
Aquele que está dentro de nós,
que reside em nosso peito, é esquecido. Só o que vale – parece - é aquele que
passa. Ao final, sem explicações (guardadas raras exceções), a assembleia é
despedida. Poucos compreendem o sentido daquela “Benção do Santíssimo”. E nem
se dão conta de que já esqueceram Aquele que comungou.
EU CREIO!
Creio plenamente que Cristo,
ao instituir a Comunhão na “Última Ceia”, também nos concedeu a Graça de compreender
o mistério da transubstanciação. Por isso creio que Ele está presente na hóstia
consagrada que comungamos, e também no Santíssimo que nos abençoa.
Entretanto, é imprescindível
que se ensine ao povo que, ao comungar, cada fiel já recebeu o Santíssimo. Basta
colocar a mão sobre o peito e agradecer pela condição de “ser digno de
recebê-Lo”!
Ah - e que não é necessário tocar
no ostensório (por mais reluzente que ele seja), para receber a benção!
REFLEXÃO FINAL
Desprovido de qualquer
julgamento, pergunto: entre todos que se i
nebriam com a passagem do ostensório,
há alguém que se recorde de que o que está ali é a mesma substância recebida na
comunhão?
Lembre-se: o ostensório mais
importante é o próprio corpo humano!
Agradeço pela leitura! Se
desejar compartilhar sua opinião — mesmo que discordante — será muito
bem-vinda. O diálogo nos enriquece na fé.
Que tal partilhar esta
reflexão com alguém que ela possa ajudar?
Até o próximo encontro!

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